O salário mínimo deveria ser uma forma de distribuir renda. Mas se compararmos a evolução do salário mínimo brasileiro da década de 50 para cá, veremos que para manter o valor que já teve, teria que ser quatro ou cinco vezes superior ao que ele é hoje. Mas o atual modelo de economia não permite que seja diferente, e inclusive se alega que o Estado Brasileiro não suportaria porque não teria renda para pagar todas as suas contas. Isso então tornou-se corrente para a política de salário mínimo. O que deveria ser uma política de distribuição de renda, virou uma política de concentração, que achata o piso salarial no Brasil.

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Se a situação continuar como está, provavelmente piorando, quem vai consumir e como o mercado interno vai se sustentar?

Aí temos dois problemas. O primeiro é que o modelo econômico desloca o eixo dinâmico da economia para fora. Então o Brasil tem crescido pouco, mas puxado pelo mercado externo. Exatamente porque o mercado interno fica completamente asfixiado pelo baixo rendimento do trabalho e pelas elevadas taxas de juros.

Agora a segunda questão, que precisa ficar clara, é que uma das características do modelo econômico brasileiro é que se compensa a baixa capacidade de gasto do povo promovendo uma fortíssima concentração de renda nos ricos. Então, como é um país que tem um grande contingente populacional, o fato de se concentrar muita renda cria um mercado interno que é expressivo para 10 ou 15% da população. Se tem 30% da população à margem, uma faixa que consome o mínimo e 10 a 15% que têm uma alta capacidade de consumo.

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Este é o modelo brasileiro, que inclusive já foi objeto de estudo de Celso Furtado no livro “O Modelo Brasileiro”. Esses 10 ou 15% são o que chamamos de classe média-alta, que está ficando menor. Porque o modelo cada vez concentra mais renda para permitir que os de cima possam ter acesso a bens de consumo que são de economias cada vez mais ricas. Então esse padrão de acumulação em que nós estamos implica em manter e até aumentar a concentração de renda.

E quais são as consequências sociais da má distribuição de renda?

A consequência social, do ponto de vista mais geral, é que se fica com um país cindido entre ricos e pobres. Um país que tem uma estrutura social típica de regimes de segregação social. E isso significa que no Brasil nós temos dois mundos: o mundo do rico e o mundo do pobre. E nesse contexto é impossível termos uma sociedade solidária, com um mínimo de coesão. O efeito visível disso é o altíssimo nível de violência urbana e rural que existe no Brasil.